Quem sou eu

Minha foto
São Paulo, SP, Brazil

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O PODER DA AUTOCONFIANÇA

Dr. Ailton Amélio


Caso 1. Ela perdeu a autoconfiança. Era segura, saia-se bem socialmente, onde quer que fosse. O marido, muito competitivo e ciumento, passou a criticá-la sistematicamente. Ela foi perdendo a energia, a segurança e a autoconfiança.


Caso 2.  Ele era ousado nos negócios. Estava muito bem e tinha muitos amigos e uma mulher linda. Acabou fazendo um negócio ousado demais, perdeu tudo, os amigos se afastaram, começou a beber demais e a mulher o deixou por um ex-colega de escola. Agora, qualquer perdeu a confiança em si e nos outros: acredita que nada que faça pode dar certo e que todas as pessoas são interesseiras não confiáveis.





Autoconfiança Tipos e Aparições

Uma pessoa pode estar (autoconfiança situacional) ou ser pouco ou muito autoconfiante (baixa autoconfiança disposicional). A autoconfiança situacional pode durar apenas o tempo necessário para que a situação que a provoca seja resolvida  e aparecer apenas nessas situações. A autoconfiança disposicional é duradoura e aparece em várias áreas da vida de uma pessoa e é difícil de ser combatida.

Autoconfiança situacional
A magnitude da autoconfiança situacional está diretamente relacionada com confiança na própria capacidade para perceber o que está ocorrendo e na própria competência para lidar com essas ocorrências. 
A autoconfiança situacional bem calibrada é extremamente útil porque varia de acordo com as nossas capacidades para perceber os desafios e as nossas condições para lidar com eles. Ela faz com aceitemos apenas aqueles desafios que avaliamos estar à altura das nossas capacidades e a evitar ou nos prepararmos melhor para aqueles que estão além da nossa compreensão ou habilidades.

Autoconfiança disposicional
A dose certa desse tipo de autoconfiança é imprescindível para a satisfação e bem estar. Pessoas muito inseguras ou seguras demais vivem atormentadas e têm mais problemas na vida. A baixa autoconfiança disposicional é um saco sem fundo ou um buraco negro: nunca pode ser afastada de uma forma duradoura pela resolução das situações que estão provocando-a. Assim que essas situações são resolvidas, logo aparecem outras para provocá-la. Por exemplo, uma pessoa fica superinsegura porque vai apresentar um seminário. Depois da sua apresentação bem sucedida desse seminário, a insegurança desaparece por algum tempo. Logo em seguida aparece outra situação desafiadora e a insegurança reaparece com toda a forca. Para combatê-la com eficiência geralmente é necessário terapia.
Caso a baixa autoconfiança disposicional pudesse ser combatida  pelo afastamento dos motivos atuais que a estão provocando (por exemplo, não ter um bom cargo, não ter roupas bonitas, não ser famoso, etc.) seria esperado que aquelas pessoas que resolveram a maiorias desses problemas, que geralmente causam insegurança, fossem mais seguras. Por exemplo, aquelas pessoas que desenvolveram competências socialmente reconhecidas (advogados, professores, etc.), posições sociais (ocupam cargos de autoridade, são famosas, etc.) ou possuem muitos bens materiais (são ricas) deveriam ser muito seguras, de uma forma geral, e não apenas mais seguras nas áreas específicas onde são aquinhoadas. Tudo indica que isso não acontece. Não existe nenhuma evidência de que os graus de autoconfiança são diferentes nas diferentes classes econômicas ou que eles se distribuam de acordo com as competências profissionais, esportivas ou intelectuais. A ausência de aumento na autoconfiança nesses casos provavelmente ocorre porque as pessoas geralmente se comparam com outras que pertencem a grupos que lhes são próximos ou superiores nesses quesitos.

Consequências da baixa autoconfiança

A baixa autoconfiança faz com que as pessoas julguem-se piores que as outras (baixa autoestima), sintam-se desconfortáveis, deixem de agir da forma como se sentem e pensam (baixa assertividade) e fiquem nervosas e temerosas diante de certas situações sociais (timidez) .
Um dos piores tipos de perda da autoconfiança é aquele onde você não acredita na sua percepção e, por isso, teme usá-la como um guia para suas ações. Muita gente que tem esse problema procura regras, livros de autoajuda e conselhos para servirem de guias. Isso pode piorar os seus problemas, porque elas acabam renunciando ao desenvolvimento da própria percepção e ficam dependentes de regras rígidas nem sempre corretas e de gurus.

Outras consequências negativas da baixa autoconfiança:
- Estabelecimento de objetivos que estão aquém do próprio potencial
- Menor motivação para perseguir objetivos
- Diminuição da autoestima
- Maior dependência de outras pessoas
- Sujeitar-se à exploração por parte de outras pessoas
- Estabelecer relacionamentos amorosos com pessoas menos qualificadas do que teria condições,
- Experimentar mais frequentemente emoções negativas como medo, ansiedade, insegurança,
-Experimentar mais frequentemente insatisfação consigo próprio e com conquistas.
- Usar de substâncias para lidar com os desconfortos provocados por esse fato.


Tipos de distorções da autoconfiança

A autoconfiança pode sofrer distorções para mais ou para menos.
Você está com déficit de autoconfiança quando em várias situações importantes você:
(1) Confia muito pouco nas suas percepções sobre o que está acontecendo ou sobre como deveria agir em diversas situações importantes e (2) percebe o que está acontecendo e como deveria agir, mas subestima sua capacidade para ser bem sucedido nessas situações.
Você está com excesso de autoconfiança quando:
(1) Superestima a validade das suas percepções sobre o que está acontecendo e sobre como deveria agir em várias situações importantes e (2) superestima as suas condições para se sair bem nessas situações.

Possíveis motivos das variações na autoconfiança
As causas das variações na autoconfiança ainda não foram bem estudadas. No entanto, existem algumas evidencias sobre as condições que podem determinar essas variações. Vamos examinar agora alguma delas.

Possíveis motivos de variações na autoconfiança situacional

Em todas as situações que nos deparamos no dia a dia recebemos feedback sobre as correções das nossas percepções, sobre as nossas condições para lidar com os acontecimentos e sobre o nosso status e poder. Esses feedbacks afetam as nossas autoconfianças situacionais. As variações nesses graus de autoconfiança influenciam enormemente as nossas motivações e decisões para aceitarmos os desafios com que nos deparamos e, por isso, são extremamente úteis, quando bem calibradas.

Possíveis motivos da baixa autoconfiança disposicional

            Quando uma criança, ou até mesmo um adulto, recebe feedbacks repetidos e importantes que indicam que a sua percepção não está funcionando bem em diversas áreas importantes da sua vida ou que ela não tem condições para sair-se bem nessas situações e não são indicados caminhos para que ela supere esses obstáculos, a sua autoconfiança ficar comprometida pelo resto da vida.
            Quando essas desconfirmações ocorrem na autopercepção ou na percepção social, os danos para a autoconfiança são ainda mais graves e generalizados do que quando ocorrem em outras áreas. A seguranca nessas duas áreas é mais menor e tem que ser continuamente nutrida porque nelas a noção do que é certo ou errado é menos objetiva: os critérios e os resultados das avaliações são menos claros, mais sujeitos à interpretação e mais passiveis de serem distorcidos pelas emoções e pelas opiniões alheias.

Nenhum comentário:

Postar um comentário